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Fonte: Valor Econômico
Chile passa Venezuela e já é 2º maior mercado para o Brasil na região
quarta-feira, 28 de julho de 201013:41
Sergio Leo, de Brasília
O Chile ultrapassou a Venezuela como segundo maior mercado para
os produtos brasileiros na América Latina, só atrás da Argentina, e
recuperou vigorosamente o interesse pelo Brasil no primeiro
semestre, após forte retração do comércio bilateral, no ano
passado. No primeiro semestre, as vendas dos exportadores
brasileiros aos chilenos aumentaram 64%. Diferentemente de outros
mercados importantes na região, que reduziram as compras de bens
manufaturados do Brasil, como celulares, o Chile compra cada vez
mais mercadorias de alto valor agregado do Brasil, com aumentos, em
valor, superiores a 800% entre alguns dos 50 principais produtos de
exportação brasileira àquele país.
O aumento nas compras chilenas de bens manufaturados, como
automóveis e aviões, chegou a 68%. Em bens semimanufaturados, como
aço laminado, a alta passou de 80% entre janeiro a junho de 2010,
em comparação com o mesmo período do ano passado. Os investimentos
entre os dois países se intensificam e as boas relações entre os
dois governos não foram abaladas nem com a radical mudança política
no começo do ano, com a queda da centro-esquerdista Concertación,
após 19 anos no poder, e a eleição do conservador Sebastian Piñera.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu a Piñera que fará
ao Chile uma de suas últimas visitas de Estado, até o fim do ano,
após as eleições no Brasil.
"O Chile talvez seja o melhor exemplo no continente de
transformação de nosso capital político em relação econômica", diz,
com satisfação, o embaixador brasileiro no Chile, Mário Vilalva.
Neste ano, termina a o período de transição do acordo de livre
comércio entre Brasil e Chile, o que elimina as últimas barreiras
de comércio entre os dois países, extinguindo, por exemplo, as
cotas-limite para venda de vinho chileno ao Brasil sem imposto de
importação e as últimas restrições tarifárias, para vendas do
Brasil ao Chile, a produtos como o açúcar.
Os investimentos do Brasil no Chile, especialmente da Petrobras,
têm contribuído para a demanda por produtos brasileiros. A estatal
comprou, por US$ 400 milhões, os ativos da Exxon no país vizinho e,
desde agosto do ano passado, passou a operar 230 postos da Esso em
território chileno e terminais de distribuição de combustível em 11
aeroportos, além de deter 22% das ações da Sociedade Nacional de
Oleodutos e em 33% na Sociedade de Investimentos de Aviação. A
venda de óleos brutos de petróleo é o principal item da pauta de
exportações brasileiras, e aumentou quase 40% no primeiro semestre,
comparado ao mesmo período do ano anterior.
O vigor das exportações ao Chile fez com que esse item perdesse
participação nas vendas brasileiras ao país, porém, de 17,5% do
total em 2009 para menos de 15% neste ano. Perdeu espaço para as
vendas de automóveis, que quase quadruplicaram e passaram de 2,4%
para 5,6% do total, com aumento, em valor, de US$ 26 milhões para
mais de US$ 100 milhões. Tanto a Ford quanto a GM vendem ao Chile
carros de menor cilindrada fabricados no Brasil.
A filial brasileira da GM tem sido a principal beneficiária de
um acordo assinado recentemente com a estatal petrolífera Enap,
para fornecimento de etanol nas bombas de combustível local. A GM,
em acordo com a Petrobras, começou neste ano a vender carros flex
para o mercado chileno. É o primeiro país com um acordo desse
gênero com o Brasil.
O setor automotivo alegrou-se com o aumento das vendas mas não
está exultante. Na prática, como lembra o presidente da Associação
Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
Cledorvino Belini, o aumento das exportações se dá sobre uma base
deprimida pela crise financeira de 2007 e 2008 . As vendas ao
Chile, hoje em torno de 1,2 mil veículos por mês, estão acima dos
quase 400 mensais do ano passado, mas ainda bem abaixo dos quase 2
mil por mês de 2008, ou dos mais de 3 mil de 2005.
"É um cliente importante, o Brasil recupera mercado, mas ainda
temos muito para crescer", diz Belini, preocupado com a forte
competição dos automóveis asiáticos no diversificado mercado
chileno. "É um mercado estruturado, com mais de 40 marcas, e os
asiáticos têm sido muito agressivos", comenta. Um segmento do setor
automotivo não tem queixas do vizinho: como se pode notar pelas
ruas de Santiago, são brasileiros os ônibus que circulam pelo
sistema de vias rápidas urbano, o Transantiago, para o qual a
Mercedes em suas instalações brasileiras tem fabricado os veículos,
o que a leva a explorar alternativas no mercado.
No primeiro semestre, a venda de chassis com motor a diesel e
cabina, para cargas superiores a 20 toneladas, aumentou 997%; a
venda do mesmo tipo de chassis, mas para cargas entre 5 e 20
toneladas, teve aumento de quase 450%. As exportações de chassis
com motor para transporte de pessoas cresceram quase 30%, o mesmo
aumento de vendas das carrocerias para veículos de transporte
coletivo.
O Chile tem acordos de livre comércio com quase 60 países e é o
mercado mais aberto na América do Sul. Os dois governos têm
registrado um movimento crescente de instalação de empresas
brasileiras em território chileno, em grande parte de porte médio,
para aproveitar as condições de venda originadas lá a outros
mercados. Diferentemente do que aconteceu em países como Equador e
Venezuela, as vendas de telefones celulares do Brasil aumentaram
para o Chile - 69% no primeiro semestre.
Celulares são o quarto item da pauta de exportações, 2,3% do
total. Foram ultrapassados pelos aviões, venda iniciada neste ano
com o contrato assinado entre o governo chileno e a Embraer para
fornecimento de 12 Supertucanos às Forças Armadas do Chile, com
opção de compra de mais 12. O contrato da Embraer envolve
associação com uma prestigiada empresa local do setor, a Enaer, que
fabrica a cauda para os aviões 145 e 190 da empresa brasileira. A
Enaer negocia o fornecimento de peças também para o cargueiro
militar brasileiro, o EMB 390, alvo de um contrato recente entre a
Embraer e o governo brasileiro.
Matéria original publicada em: 28/07/10
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