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Fonte: O Estado de São Paulo
Empresas lançam produtos de olho na nova escala social
segunda-feira, 2 de agosto de 201011:30
Depois de fisgar a classe C, as empresas se dedicam a redesenhar
linhas de produtos e até fazem aquisições de companhias
concorrentes para se aproximar da classe D. O objetivo é conquistar
essa população com renda mensal familiar entre um e três salários
mínimos, antes uma ilustre desconhecida do mercado de
consumo.
No mês passado, o Magazine Luiza, rede varejista de móveis e
eletrodomésticos de Franca (SP), comprou as Lojas Maia, com 141
unidades espalhadas pelos nove Estados do Nordeste. O negócio, além
de ser uma reação ao movimento de consolidação do setor detonado
pela união do Pão de Açúcar com as Casas Bahia, tem como meta
incorporar novos consumidores da classes de menor renda.
O negócio trouxe para o Magazine 3,8 milhões de consumidores,
antigos clientes das Lojas Maia, a maioria das classes C e D.
"Queremos ter, cada vez mais, um número maior de clientes da classe
D", confirma o superintendente da empresa, Marcelo Silva. Pesquisas
mostram que a maior parte dessa população está concentrada no
Nordeste.
Para Silva, a classe D é transitória. Isto é, se o crescimento
do emprego e da renda na economia forem mantidos nos próximos anos,
rapidamente a população da classe D vai migrar para a classe C e
assim por diante. Por isso, o mix de produtos oferecidos nas lojas
da rede recém adquirida não será muito diferente do Magazine Luiza.
"A classe D também quer ter TV de LCD."
Enquanto esse consumidor não tem renda suficiente para comprar
TV de LCD, ele leva para casa a TV de tubo. Por isso que a Semp
Toshiba manteve a fabricação desse produto, embora vários
concorrentes tenham tirado de linha. "O Brasil com S compra TV de
tubo", diz o vice-presidente de Marketing e vendas da companhia,
Caio Ortiz. Ele observa que, ao circular nas lojas das grandes
capitais parece que o produto está fora do mercado. Mas, não é essa
a realidade das cidades menores, onde predomina a população de
classe D.
No ano passado foram vendidos 5,5 milhões de TVs de tubo e a
perspectiva para este ano é produzir entre 4,5 e 5 milhões. "Não
vamos parar de fabricar TV de tubo tão cedo", afirma Ortiz.
Já a Positivo Informática adaptou o computador, o grande sonho
de consumo da classe D, para esse estrato da população. César
Aymore, diretor de Marketing da empresa, informa que foram criados
dois modelos: o PC Fácil, computador com uma linguagem
autoexplicativa, e o PC da Família, desenhado para ser usado por
várias pessoas.
Matéria original publicada em 02/08/2010
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